So a Arte pode nos salvar

ANTES DE MAIS NADA

Prezado leitor, prezada leitora, preciso te dizer que escrevo essas linhas em pleno mês de novembro de 2018.

Tomo este cuidado porque não é difícil imaginar que você possa estar me lendo no futuro, distante do meu presente. Por isso, para entender a motivação deste texto, é importante que eu ilustre rapidamente o contexto ao me redor.

EXTREMOS QUE NÃO SE TOCAM

Acabaram de acontecer as eleições presidenciais no Brasil e por conta disso uma intensa polarização política que vem se acumulando e se agravando nos últimos tempos atingiu seu ápice. Chegou-se num ponto onde o país ficou totalmente dividido. Famílias rachadas ao meio, amizades de longa data se desintegrando, discursos de ódio se inflamando nas ruas e nas redes sociais.

Nas últimas semanas fui sugado por esse debate e me vi tomado por essa febre de discordância e perplexidade. Afastei-me do piano, me engajei em discussões políticas… Só se falou nisso! Não havia espaço para mais nada!

Me vi sem energia, sem esperança, questionando as boas intenções das pessoas mais queridas. E vice-versa, o que é pior. Uma coisa horrorosa de se sentir.

Depressão.

Fiquei quase um mês sem encostar no piano, sem parar pra ouvir música ou nada que me puxasse para fora desse estado. Quem não viveu na pele este momento terá dificuldade em imaginar o quão agoniante foi presenciar isso tudo e ao mesmo tempo não conseguir fazer outra coisa que não vivenciá-lo.

VOLTAR À TONA

E foi então que aconteceu: sentei-me ao piano e quase pude ouvi-lo me indagar “e aí, rapaz, por onde tem andado?”. Meio erraticamente fui dedilhando algumas notas, procurando acordes, tentando reencontrar os caminhos que conheço tão bem. Quando dei por mim estava tocando, absorto, e um grupo de pessoas me assistia.

Em poucos instantes ficou cristalino aos meus olhos como toda essa balbúrdia emocional a que estamos sujeitos na verdade é algo pequeno diante do que realmente importa.

Uma humildade profunda tomou conta de mim. “Sou mera poeira cósmica”, percebi enquanto tocava um noturno de Chopin. Esses conflitos todos, esses elaborados argumentos que parecem tão importantes e que nos levam a querer esfregar supostas verdades na cara dos outros como se fôssemos as pessoas mais esclarecidas do mundo (ah, como adoramos estar com a razão). Isso não é nada.

Isso não nos define. Isso não nos enleva. Não revela de fato quem somos, o nosso valor diante do mundo, das coisas e das pessoas. Há algo que paira acima disso tudo, algo que atravessou os tempos desde nosso primeiro suspiro como espécie, para além dos fins e dos começos, cravando nas paredes das cavernas, nas telas, nos afrescos de igrejas, nos livros e partituras o registro realmente verdadeiro do que somos como civilização e que nos diferencia de todos os outros seres vivos: a Arte.

UMA OBRA DE 64.000 ANOS

Não importa que parte do espectro político nos parece a mais certa ou que discurso ideológico está por trás de nossas palavras. Não importa em que tempo e em que ponto do planeta nascemos, qual nossa religião, nossa língua materna… Nada fará diferença. A Arte nos arrebatará a todos, inexoravelmente.

E nos ultrapassará no tempo, sempre, como tem feito ao longo de milênios. Só ela consegue criar um elo entre o que somos hoje, em 2018, e nossos semelhantes pré-históricos de mais de 60.000 anos atrás. isso não é absolutamente incrível?

Pinturas feitas supostamente por neandertais há 64.000 anos atrás, 20.000 anos antes do Homem Moderno chegar à Europa!

E justamente esse poder de criar conexão é que mais me chamou atenção ali naquele momento. Arte é uma das formas mais primordiais de comunicação do ser humano. Ela nos aproxima e nos permite compreendermos uns aos outros, sejam amigos próximos ou completos estranhos.

CONEXÃO

Sentado naquele piano eu podia sentir a presença e uma reconfortante troca de energias com as pessoas ali presentes. Pouco antes de começar estávamos tendo uma franca discussão, uma parte do grupo inclusive estava bem acalorada, e momentos depois estávamos todos placidamente ouvindo Chopin.

“Arte é uma maneira de falar com estranhos”

Eu mesmo, que há semanas me sentia ensimesmado e desesperançoso, redescobria um motivo para acreditar em algo, acreditar nas pessoas independentemente de qualquer coisa. Estávamos todos sorrindo, unidos através da música de uma maneira muito única e inexplicável.

A ETERNA LUZ NO FIM DO TÚNEL

Nunca a célebre frase do pintor Gerhard Richter – “Arte é a mais elevada forma de esperança” – fez tanto sentido pra mim. Estava tão vividamente confirmada e validada que seria capaz de tatuar em minha pele. Tornou-se uma de minhas verdades.

Para além de suas propriedades terapêuticas, a Arte pode trazer significado e propósito para nossas vidas. Não precisa ser um artista para se valer dessa força. Independente do que se faça da vida, estar em contato com essa face sublime da nossa humanidade – a criatividade – pode nos fazer olhar para nós mesmos de maneira mais elevada, colocando em perspectiva nossos desafios e dificuldades e acreditando que podemos ir mais longe e mais alto.

É preciso valorizar aquilo que nos faz humanos, não perdermos de vista nossa essência e o que somos capazes de realizar. Viver sem Arte não é uma opção. É o verdadeiro legado de uma civilização, capaz de tornar qualquer cultura verdadeiramente imortal.

SOMOS TODOS TERRÁQUEOS

Sabe em que todo governo deveria investir largamente? Enviar seus artistas nacionais para fora e trazer os artistas estrangeiros para dentro, num contínuo ir e vir cultural e artístico. Quanto mais se promovesse este movimento mais estaríamos conectados uns aos outros em nível global, mais nos veríamos como habitantes do planeta Terra e não “brasileiros”, “franceses”, “chineses” ou “egípcios”.

Ao celebrar nossa humanidade mais fundamental, estaríamos automaticamente promovendo o entendimento maior entre todos os povos, uma compreensão vasta e abrangente de si mesmo e do outro. O mundo está precisando disso: se conhecer, se aceitar, se admirar, se conectar.

Se podemos sentir uma ligação com um neandertal de 60.000 anos atrás, por que tem sido tão difícil fazê-lo com uma pessoa logo ao lado e até mesmo com um familiar ou um amigo de infância?

MISSÃO

Só sei que me levantei do piano naquela tarde me sentindo aliviado e com meu propósito de vida renovado: fazer da minha Arte algo bom, verdadeiro, e humildemente compartilhá-la com o mundo que me cerca para servir às pessoas da forma mais luminosa. Essa ideia de “estar a serviço dos outros” enobrece muito a tarefa do artista (aliás, de qualquer pessoa). É uma noção que ganhou uma nuance totalmente nova para mim.

Olhemos para cima e tenhamos a percepção de que somos feitos de algo muito maior, uma noção capaz de nos fazer – não só eu e aquele pequeno grupo em torno do piano, mas também as outras quase oito bilhões de almas vivas – cantar numa só voz a maravilha de sermos humanos.

Só a Arte pode nos salvar!

“Arte é a mais elevada forma de esperança”

 *   *   *

Olá! Que bacana que você chegou até aqui. Espero que tenha curtido a leitura!

O resultado fulminante da publicação deste artigo e todo o feedback em comentários e emails que recebi é que foi absolutamente inevitável que eu arregaçasse minhas mangas e fizesse minha parte, exercendo minha função primordial como artista. Fazer Arte! Literalmente, com todas as minhas forças, passando por cima de qualquer resistência ou obstáculo. 

No finalzinho de 2018 fiz uma campanha de financiamento coletivo que me permitiu gravar um novo disco com minhas composições para piano solo. A campanha foi um sucesso e ainda no primeiro semestre de 2019 já estava com meu álbum La Liberté gravado. ♫

Em seguida, mais uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar uma turnê na Europa, que também deu super certo. A viagem aconteceu logo depois do lançamento do disco numa noite memorável, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. Era final de outubro de 2019 e a sala estava cheia, tendo a récita sido transmitida ao vivo pela Radio MEC-FM. Poucos dias depois embarquei para recitais no Porto, em Paris, em Londres e em Edimburgo.

Plenitude absoluta. Isso sim é fazer minha arte com toda a força. Que a vida me permita continuar humildemente fazendo isso e levando essa missão pessoal cada vez mais longe.

Se você tiver curiosidade para conhecer La Liberté, está disponível nas melhores plataformas de streaming. Para abrir no Spotify, basta clicar aqui.

Obrigado mais uma vez. Até a próxima postagem! 

Luiz

56 thoughts on “Só a Arte pode nos salvar

  1. Alexandre Amaral Monteiro

    Amigo, como “músico” (Eu diria “bandeiro”) e como breve interlocutor desse momento político que vivemos te entendo e fico muito feliz de ler seu texto. Quando dou aula de Literatura para os adolescentes, costumo dizer que a Arte é uma necessidade humana básica e suas reflexões se somam a isso e trouxeram outra perspectiva: a Arte nos une. Parabéns pelo texto. Parabéns pela postura diante do momento político de nosso país. Parabéns pelo talento artístico que se revela até na arte de escrever.
    Foi um privilégio tê-lo como interlocutor interessado nesses tempos de ruptura de laços em que as pessoas não se abriam ao debate respeitoso. Muito obrigado e sorte na vida pra você.

    1. Luiz De Simone

      Meu caro Alexandre, nossos debates foram muito construtivos, realmente. É muito bom poder confrontar ideias dissonantes (aliás, nem todas) e ver que o diálogo é perfeitamente possível e que, afinal, é assim que deveria ser sempre. É assim que as coisas são. Analisando “the big picture” vemos que o regional define o nacional, as pequenas ações definem os costumes, os pequenos debates inspirando os grandes. Cultivemos o nosso entorno seguindo aquilo que acreditamos. É o único caminho para mudar o mundo, em sintonia com a velha máxima “o mundo é aquilo que fazemos dele”. Ingenuidade? Idealismo? Não creio.
      Que tenhamos oportunidade de discutir outros assuntos da vida, de preferência menos graves (hehe), e que saibamos sempre ir além. Obrigado pela presença, meu amigo. Um abraço!

  2. Rômulo Lima

    Meu nobre amigo, como sempre, é um prazer te ouvir, seja ao piano, seja numa boa conversa pessoal, seja num grupo de “zap”, seja no seu blog. A lucidez e a beleza de suas palavras contagiam e nos fazem realmente refletir. E isso é crucial nos dias atuais.
    Sim. A arte pode nos salvar. Sempre. Entretanto, não podemos deixar de, tristemente, perceber que até a arte, no Brasil esquizofrênico e bipolar, parece estar dividida cartesianamente entre “arte de esquerda” e “arte de direita”. Como se a arte tivesse limites tão mesquinhos…
    O momento atual é de depressão, sim. E deveria ser até para quem pensa que está certo ou que enxerga com clareza o que estamos vivendo aqui.
    Enfim… Deixemos esse assunto chato de lado e celebremos a arte. A arte sem adjetivação, sem limites. Vamos contemplar o belo. Isso é o que nos salva!
    Forte abraço, bro.

    1. Luiz De Simone

      Dr Rômulo, que prazer vê-lo por aqui. Fico honrado, mon ami. Muito obrigado! 🙂
      Estamos num momento confuso, realmente. Quando há mudanças de força muito radicais, como é o caso, uma transição meio dramática entra em curso. Eu acredito que vamos nos encontrar, justamente por acreditar no poder da Arte. Inevitavelmente ela está acima desses embates ideológicos. Pode até demorar, pode ser difícil e belicoso, mas ela vai encontrar seu caminho. Sempre foi assim, há milhares de anos, e não é agora que vai ser diferente. “Arte de esquerda” ou “Arte de direita” vão perder essa chancela, mais cedo ou mais tarde. O que existe é o ser humano querendo se expressar e compreender o mundo. A nós cabe fazer o que acreditamos e promover constantemente o debate, a exposição de ideias e a busca do diálogo entre elas, como temas contrastantes numa sinfonia de Beethoven. Contraste é um elemento fundamental na Arte, aliás. E, veja só, estamos repletos disso nos tempos atuais. Será que é preciso ser um Beethoven para encontrar o caminho? Vamos ver. Caminhemos.
      Um grandioso abraço pra você. Continuaremos esse papo ao vivo. 🙂

  3. VERA LUCIA COELHO VILLAR

    Luiz:
    Essa sua desesperança foi compartilhada. Estamos vivendo um momento triste do nosso país, desacreditado e debochado mundo afora. Aqui, na fase negra de 1964 e anos seguintes, despontaram os grandes compositores da música popular brasileira (Chico Buarque, entre tantos outros). Portanto concordo com sua assertiva. Tomara que a Arte possa nos salvar!

    1. Luiz De Simone

      Querida Vera, pode me chamar de otimista, mas acredito mesmo que vamos encontrar nosso caminho. É difícil lançar um olhar à frente e antever a possível harmonia e ordem que nos aguarda adiante, mas isso é normal. Quando estamos no meio do momento da mudança, no meio da transição, por doída que seja, não é fácil fazer essa reflexão. Só mesmo estando à frente e olhando para trás para compreender o porquê das coisas, por mais que parecessem inaceitáveis na época. No momento presente, onde tudo ainda está por acontecer, fica complicado mesmo. Decidi manter a mente positiva por acreditar que podemos ir além, que podemos nos unir através de algo que é maior que tudo. Existe mais de um caminho, mas é pela Arte que vejo acontecer. Tenha fé!
      Obrigado por sempre vir me prestigiar e participar das discussões. Sua presença aqui me alegra muito, viu? Beijo!!

  4. Patrícia Lima

    Luiz Adorei seu texto e concordo plenamente com ele. Fiquei meio impressionada com tudo que aconteceu nesses últimos meses e em como pessoas tão queridas puderam se afastar e até mesmo “se estranhar”. Nada e nem
    ninguém poderia justificar tudo que ocorreu. Procurei não me envolver nesses embates e acho que consegui, mas claro acompanhei tudo perplexa com os estranhamentos. Vida que segue, felizmente com a arte! Bjs

    1. Luiz De Simone

      Oi, Patricia! Que bom receber sua visita. Obrigado! Manter distância foi uma estratégia usada por muitos. Por um bom tempo me mantive assim, mas houve um momento em que fui fisgado. Francamente? Lamento por isso. Mas é estranho, pois ficamos nesse conflito interno entre o manter-se são e o dever cívico de promover o debate político em busca de uma solução melhor para a sociedade. O grande problema é que esse debate se deu num contexto odioso, né? Acho que meu lamento vem daí, dessa frustração em sentir o véu da intolerância esparramar-se diante de meus olhos. Temos muito a evoluir ainda e o caminho é longo. Sim, sigamos a vida. Mas com fé, acreditando que podemos mais. Je crois!
      Un gros bisou!

    1. Luiz De Simone

      Oi, Karen! É exatamente isso. Quando não estamos entendendo o que está acontecendo ao nosso redor, uma ótima alternativa (a única?) é olhar para cima. Se possível, aproximar-se desse “acima” e tentar ver a confusão de um outro ponto de vista. Uma vez estando lá, mesmo que por instantes, talvez fique claro que toda essa balbúrdia não serve para nada e nos faz cultivar nosso lado menos luminoso. Mas como subir pra esse patamar mais além e lançar este olhar distanciado da realidade? Simples: através da Arte. 🙂
      Obrigado pelo recado! Un beso!

  5. Adauto Bezerra de Araújo Filho

    Força e tenha confiança que teremos um BRASIL MELHOR e com brasileiros mais PATRIOTAS. Sem tanta roubalheira em nome de projetos de poder.O BRASIL é o projeto…..desenvolvimento, inflação controlada, educação de melhor qualidade sem viés,Judiciário à favor da justiça do POVO e não dos poderosos.

    1. Luiz De Simone

      Oi, Adauto! Que bacana ver você aqui. Muito obrigado pela mensagem.
      Sim, estou confiante. As coisas podem melhorar sim, torço por isso, mas acho que a união das pessoas, uma conexão entre opostos mesmo, virá mais de cima e não do governo. Aliás, o mundo da política e da dança dos poderosos – seja onde e quando for – é regido por forças muito duvidosas, difícil até ver como algo que esteja acima de nós. Talvez hierarquicamente, mas energeticamente parece vir de baixo. Que saibamos evoluir e buscar princípios iluminados (e iluministas) para reger nossa jovem democracia. Que nossa sensatez e tolerância estejam sempre ativos para polarizarmos o mundo mais positivamente. Vamos acompanhar juntos o desenrolar dessa história e que possamos fazer um brinde pelo que está por vir.
      Merci encore e um abraço pra você. Recomendações à Eloá! 🙂

  6. Leonardo Ceotto Palermo

    Sensível, Luiz! A arte nos conecta a uma energia superior, de fato, acima de convicções cotidianas, numa frequência mais elevada. É o seu bálsamo. Parabéns!

    1. Luiz De Simone

      Oi, Leonardo! Que surpresa receber sua visita ao meu blog. Obrigado pelo recado!
      É exatamente assim que eu penso. Acredito que essa maneira de ver e captar as coisas pode realmente fazer a diferença nas nossas vidas. E, ainda que haja aqueles mais pragmáticos e racionais que querem focar mais aqui na superfície (uma postura totalmente legítima), que os artistas estejam livres para criar e performar. Não é preciso ser ligado às artes para se beneficiar de sua presença e influência no mundo que o cerca. Sigamos produzindo e tornando o mundo um lugar mais belo. A Beleza é o acesso direto às esferas superiores, divinas – se assim preferir chamá-las. Permitamo-nos!
      Um grande abraço e manda um beijo pra minha xará. 😉

  7. Daniel Chiari

    Caro Luiz,
    Gostei muito das reflexões sobre o momento atual e, especialmente, sobre a importância da arte para a vida humana. Como dizia Nietzsche, “a arte existe para que a realidade da vida não nos mate”. E é isso mesmo! A arte nos eleva para além de nós mesmos e das pequenas coisas cotidianas…
    Um grande abraço,
    Daniel Chiari.

    1. Luiz De Simone

      Olá, Daniel!
      Obrigado pela visita e por ter me dado o prazer de deixar um comentário aqui. Nietzche era muito ligado às artes. Ele mesmo compunha canções e outras peças para piano. Ele tem uma frase nesse contexto que eu adoro: “Sem a música a vida seria um erro”. Como não concordar com ele, certo? 🙂
      Como eu dizia há pouco por aqui a Arte nos dá acesso direto ao divino (ou como queira chamar as esferas superiores de energia que pairam sobre nós). Beleza é algo sagrado. Sua busca, não importa por quem, é uma empreitada que se faz em nome de todos nós. Que os artistas tenham sempre liberdade para partir no seu encalço! Beeethoven escreve uma sinfonia e a humanidade inteira automaticamente sobre um degrau evolutivo como civilização. Seremos sempre mais contanto que estejamos produzindo Arte e dando valor à nossa cultura. Bom, é assim que humildemente enxergo as coisas…
      Grande abraço!

  8. João

    Neste momento desgastante também me recolhi, e tentei de alguna forma entrar em contato com nosso criador, o nosso artista maior.
    Valeu para refletir e rever os valores

    1. Luiz De Simone

      Oi, João. Pois é, buscarmos respostas ou alento nas esferas superiores é uma ação saudável e que faz muito bem pra alma. Por mais que os motivos que nos levem a isso sejam inquietantes ou indesejáveis, o contato com essa parte mais luminosa, dentro e fora da gente, nos deixa automaticamente mais tolerantes e positivos. Pode ser algo meu, certamente, mas acredito que qualquer um que sinta esse toque de uma força superior inevitavelmente entende que somos destinados a realizações muito mais nobres e “sagradas”. A Arte é uma das portas de entrada do divino, ao alcance de qualquer pessoa, não importa a religião, valores, princípios, ideologia política, raça, nacionalidade… É uma riqueza para todos! Se você sintonizar essas frequências mais altas sua paz de espírito, fé e esperança vão retornar pro seu coração. Nossa, estou virando um adepto da pregação… É de coração!
      Um abraço!

  9. Jéssica Oliveira de Almeida

    Adorei o texto! Momento tenso e intenso sentido e vivido pelo nosso tempo. O futuro dirá! Então, sigamos “fazendo arte”, construindo pontes e conectando pessoas “nos bailes da vida”.

    1. Luiz De Simone

      Olá, Jessica. Nossa, você tocou num ponto central de uma visão que tenho sobre como agir nesses tempos. “Construir pontes”. Tenho usado esse termo ultimamente e tenho gostado muito. Ele resume bem muitas coisas que quero dizer e sugerir pras pessoas. Obrigado por ter vindo aqui deixar esse recado e me contagiar com sua positividade. Bom, pelo menos você me pareceu positiva. Não?
      Até breve e nos esbarramos pelos bailes da vida. Um beijo!

  10. Marco Antonio de Oliveira Almeida

    Caro Luis
    Tenho 66 anos e nunca havia passado por situação semelhante em nosso país. Confesso que no final me alienei de tudo e de todos em relação ao que estava acontecendo, mas logo vi que era puro egoísmo e que ao invés de ver 6 e 9 tinha que ver 15. Não mais por mim , mas pelas nossas crianças e pelo nosso planeta. Acredito que esta corrente tenda a crescer com palavras como as suas, com arte e com cada um fazendo não o que é bom para si, mas o que é bom para todos. Um abraço
    Marco Antonio

    1. Luiz De Simone

      Olá, Marco! Obrigado pela linda mensagem! Essa alienação a que você se referiu também foi buscada por mim. Aliás, confesso que há anos me mantive assim alheio aos dramas do dia a dia por ver que era a única maneira de me manter em paz e com energia para me dedicar aos meus projetos e sonhos. A instabilidade do mundo e a sombra humana sempre me impactaram demais, afetando meu humor e minha disposição diária. Nesses últimos meses, assim como você, me vi surpreendido por uma relação de forças tão inédita quanto quanto abominável. Alienar-me passou a ser uma postura inviável. Engajei-me e, posso dizer, me dei mal. Machucou bastante. Daí veio a tristeza e, felizmente, essa “epifania” de que acima dessa confusão terrena existe algo maior que prescinde dessa relação de forças e afetos. E, mais libertador ainda, me vi como um potencial transmissor dessa força que tudo transforma, tudo reúne e tudo arrebata. É tempo de cada um reconhecer suas virtudes e contribuir para generosamente para um mundo melhor. Está nas nossas mãos! Como diz a velha máxima: “o mundo é aquilo que se faz dele”. Obrigado mais uma vez e um abraço!

    1. Luiz De Simone

      Oi, Roberta! Obrigado pela visita, pela leitura e ainda por cima por ter deixado um simpático recado. Fico feliz que você tenha compartilhado dessa “vibe” em que me encontro. É muito bom ser compreendido, especialmente nos dias atuais. Obrigado de novo! Un beso!

  11. Paulo Abreu

    Luiz

    Transcendeu com a alma! Antes de abrir seu blog, conversava com minha filha, estudante de arquitetura, sobre Caravaggio, as luzes e as sombras até chegarem a Jung, esta arte que não cessa de nos ensinar.

    Quanto ao processo eleitoral, paciência, vida que segue, por que a outra parte, a vitoriosa, não foi incompetente (à sua maneira) para defender seus interesses.

    E música, caramba, música é a arte de ser humano na quintessência!

    Um abraço

    Paulo Abreu

    1. Luiz De Simone

      Olá, Paulo! Que bacana saber que você deixou as páginas (ou seriam os pixels?) do Diario de Bordo na Travessia da Vida para vir aqui compartilhar essa sua energia boa comigo. Sim, temos que lançar o mesmo olhar para os dois lados, perceber e analisar os louros, defeitos e virtudes de ambas as partes. E aprender com isso, sempre. A Arte é o denominador comum que vai tornar toda essa aventura essencialmente humana. Embarquemos!
      Um abraço!!

  12. Bebeth

    Oi, Luiz, concordo que a arte salva, sim, e meu medo atual, na atual conjuntura, é que essa confraternização proporcionada pela arte (aí incluo música, dança, literatura, cinema, futebol arte, culinária e mais um bocado de habilidades humanas) seja suplantada pela fraternidade nascida do ódio e da raiva.
    Mas acho, sim, que uma forma de luta é persistir nesse diálogo que você propõe, vambora colocar notas e melodias e poesias e cantos indígenas e africanos nos ouvidos e nas mentes dos raivosos e tentar abri-las um pouquinho. O ódio exaure as pessoas, torço pra que percebam isso a tempo de não sucumbirmos todos.
    Beijo grande.
    P.S. Chopin pode ter auxiliado no consenso, né. Um russo mais agoniado, talvez desse problemas ; )

    1. Luiz De Simone

      Oi, Bebeth! Que bom que você veio até aqui e resolveu me escrever. Adorei!
      Sim, ódio e raiva são sentimentos muito carregados, com potencial para sair varrendo tudo cegamente. Se isso pode obliterar nossa realidade atual? Acho que até pode. Mas quando entendo que a Arte pode solapar tudo isso, inexoravelmente, certamente estou levando em conta “the big picture”. Pode não ser agora, neste contexto, mas ela vai sim fazer prevalecer o melhor do humano. Para isso os artistas (dessa gama toda que você apontou e muito mais) e os entusiastas da Arte precisam deixar as sementes, plantar a concordância, ideias luminosas, ações virtuosas e positivas. Não me importo que o florescer desses frutos me ultrapassem no tempo. Procuro encontrar paz e serenidade na pureza dessa missão, acreditar que posso verdadeiramente, com as ferramentas que tenho em mãos, contribuir de alguma forma para um mundo melhor. “The world is what we make of it”. Otimista, não? 🙂
      Obrigado pelo recado. Um super beijo!!

      > Chopin pode ter auxiliado no consenso, né? Um russo mais agoniado, talvez desse problemas.

      Hahaha!! Sim, ajudou bastante ser um noturno de Chopin e não uma sonata de Prokofieff. =D

  13. Francisco Eduardo Lemos de Matos

    Só espero que a arte não seja incompreendida na sua necessidade nos próximos 4 anos e que ninguém a tente sufocar.

    Mas se tentarem, ela persistirá, pois este é o papel dela: persistir a tudo aquilo que não nos é permitido.

    Abs
    obs: e aquela lista de grandes músicos do spotify? hehehe

    1. Luiz De Simone

      É exatamente isso, Chico. Ela nos conectará à posteridade, quer queira, quer não. Não importa a política do governo atual ou do seguinte. O que é preciso é que os artistas e os entusiastas da Arte não cessem sua busca e produção. Enquanto houver produção cultural (no mais amplo espectro do conceito) a perpetuação de nossa história e experiência humana estará assegurada. Obrigado pelo recado, meu amigo! Abração!

  14. Georj de Paula

    Caríssimo e talentoso Amigo Luiz !

    Em homenagem a nossa ” Primavera “, e sob os harmoniosos momentos de Vivaldi , em suas “Quatro Estações” , procurei refletir sobre o seu Exemplar texto e sua visão holística do nosso Brasil . Por isto , encontrei a Esperança de melhores dias , sem esquecer o 6 e o 9 , para que o nosso País seja mais Feliz .

    Jorge de Paula & Soraya

    1. Luiz De Simone

      Olá, Georj! Obrigado pela visita e por ter deixado uma mensagem tão positiva. Arrancou-me um sorriso. 🙂
      Fico muito orgulhoso de saber que você se identificou com o texto e curtiu a leitura. Estou nesse momento muito particular em que estou acreditando na contribuição de cada em prol do bem maior, que ajudar a pessoa que está ao seu lado é exatamente ajudar o mundo. Colocar-se a serviço dos outros explorando suas virtudes e habilidades é o que sinto ser a tarefa mais nobre neste momento. Em posse dessa atitude e visão das coisas, esperança e otimismo acabam aflorando naturalmente. Arregacemos as mangas, estufemos o peito e – com sorriso no rosto – mãos a obra! Abraço!

  15. Sandra Navarro

    Caro amigo, concordo com tudo o que você disse. Eu mesma fiquei abalada com a ingenuidade das pessoas que me cercam, algumas muito amigas, mas imediatistas, simplórias, procurando uma fórmula mágica, que não existe, enfim, se enganando… em nome de quê? Amizades ficaram abaladas, conversas substituídas por sussurros e até silêncios, mas, enfim, não podemos esquecer que a democracia a qualquer custo deve ser a prioridade de todos nós. E cabe a nós tolerar a opinião dos outros, por mais difícil que seja; é assim que gostamos de ser tratados, afinal. Nossa escolha é soberana, e deve ser aceita, a despeito de tudo. Depois do desencanto, a aceitação; vamos esperar que a poeira baixe, afinal, somos um país milionário, e um povo de indigentes.

    1. Luiz De Simone

      Oi, Sandra. Pois é, é um momento delicado este que estamos vivendo. E essa sensação de impotência diante dos conflitos que se formam diante de nós é muito angustiante. Esse é o momento exato para se lembrar de que não é preciso compreender para aceitar a opinião alheia (essência da tolerância, vale dizer). É como aquela famosa frase atribuída a Voltaire: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Não importa se a outra parte não age desta forma, temos que dar exemplo sempre. Nossa maneira de agir e reagir determina quem somos e pode sim moldar o mundo ao nosso redor. Pode não ser no momento presente, no nosso tempo, mas inevitavelmente ecoará. É aí que entendo que entra a Arte, mostrando incondicionalmente quem somos de verdade e do que somos capazes. Esse espelho de nossa humanidade fatalmente inspirará e guiará a todos. Mais uma vez, pode não ser agora, mas é sim inexorável. O que não está ao nosso alcance (a resposta da sociedade, a concordância alheia), afinal, não tem porque nos fazer perder o prumo. Façamos, portanto, a nossa parte. Algum dia a resposta virá, mesmo que não estejamos aqui para ouvi-la. Essa é mais ou menos a filosofia que tem me guiado ultimamente. Não sei até quando mantenho esse otimismo, mas sigo caminhando com fé. Obrigado pela mensagem, viu? Seja sempre bem-vinda! Bisous!!!

    1. Luiz De Simone

      Meu caro, que orgulho ver você aqui de novo. Você que é um artista e ainda por cima convive com uma grande artista visual (de quem aliás sou super fã) conhece bem o poder desse bálsamo, né? Produzimo-lo, façamo-lo e espalhemo-lo por aí! 🙂
      Um grande abraço!

  16. patrícia

    Olá, boa noite!
    Achei muito interessante o seu texto, porque passei por isso é ainda estou sentindo esse bloqueio. São muitas as questões que acontecem no nosso país. Espero ve-lo tocando o Chopin e o Mozart.

    1. Luiz De Simone

      Oi, Patricia! Muita gente sofreu com esse momento estranho que estamos vivendo. Aliás, eu diria que todos sofremos. Alguns talvez estejam tão imersos em suas paixões que não o entendem como estranho ou sem sentido, mas apenas enxergam uma luta entre o bem e o mal (sendo que o lado mal, é claro, é aquele que você combate, seja qual for seu posicionamento político). Não creio que vá passar rápido. Talvez demore anos! Mas é provável que a fumaça de ódio e intolerância se dissipe aos poucos. Espero que o que fique depois desse período crítico seja razoável e minimamente suportável. Para isso há que se trabalhar em prol do entendimento geral. E, afinal, a Arte está aí para ajudar nisso, nos inspirando a buscar ideais mais nobres e elevados. Torço para que, humildemente, consiga dar minha contribuição pessoal, ínfima que seja, para iluminar toda essa situação. Obrigado pelo recado e até breve. Um beijo!
      PS: ainda não tem Mozart, mas se quiser ouvir Chopin e Schumann aguardo sua visita ao meu canal no YouTube. Basta seguir o link: https://www.youtube.com/luizdesimone

  17. Daniel Kaplan

    Luiz , meu amigo :
    Alem de excelente pianista você escreve muito bem ! A arte também faz parte do meu dia a dia e não vivo sem . Durante o período eleitoral jamais me manisfestei publicamente sobre A ou B , pois entendo que ninguém mudaria sua visão política , principalmente em redes sociais . Seu texto é cirúrgico . Nós pianistas que somos e amantes da Arte devemos sempre continuar acreditando que ela ajudará a salvar o mundo . Grande abraço

    1. Luiz De Simone

      Meu caríssimo Daniel, fico honrado com sua visita! Precisamente, é exatamente assim que vejo a coisa: os artistas e os entusiastas da Arte plantando sementes, não importa em que condições e com que dificuldade, sempre acreditando que os frutos serão inevitavelmente colhidos e que vão impactar positivamente não apenas aqueles que diretamente o colheram, mas todo o seu entorno. Essa é a grande mágica. Mesmo que não estejamos mais aqui para testemunhá-la, ela se dará exatamente por conta deste humilde trabalho feito aqui, no dia a dia, por pessoas comuns que apenas desejam um munto melhor, mais tolerante e virtuoso. Soa otimista demais, quase naïve, né? Admito… Mas o que posso fazer? It’s inevitable.
      Muito obrigado pela mensagem e espero receber sua visita de novo! Um grande abraço!!

  18. Letícia

    Assim estamos nós. De volta aos nossos pianos, tentando tocar a vida, voltando para essa bolha tão frágil da qual fazemos parte. Muito difícil manter alguma esperança.

    1. Luiz De Simone

      Lets, minha amada amiga, essa bolha é mesmo frágil. Mas devemos fortalecer os elos ao nosso redor, tornando o todo coeso e, junto com a proximidade de outras bolhas, criar uma estrutura mais resistente. Eu tenho esperança, sinceramente. O mundo toma muitas formas e muitas delas não são exatamente como pensávamos. Podemos nos surpreender com este ou aquele inesperado desenlace, quem sabe? Mantenha os filtros abertos para perceber para além do óbvio palpável. A luz pode não se dar agora, mas é inevitável que surja. Sim, são apenas palavras, mas tudo começa assim como apenas um pensamento em nossa cabeça. Depois que ele percorre todo a concretude do nosso corpo e vira palavra, ação, desejo compartilhado, sinceramente acho que não fica tão imponderável assim. Allons-y?
      Um abraço apertado e um beijo carinhoso. Hmmmm!

  19. ANGELA DE P SCHNOOR

    Querido Luiz! Como sempre sua arte , seja por qual expressão for, emociona esta velha hoje tão sofrida mas sempre esperançosa! Agradeço muito.
    Carinho da
    Angela.

    1. Luiz De Simone

      Querida Angela, que bom que você veio aqui fazer parte deste momento, ainda que não seja o momento mais oportuno para você, não é verdade? Obrigado pelo carinho, de coração. Sofrer não deve nos impedir de ter esperança. É algo pelo qual tenho estado em busca constantemente, às vezes com sucesso, noutras nem tanto. Mas, em se tratando de algo tão imponderável, podemos também pensar que foi apenas uma questão de percepção. A esperança estava lá o tempo todo e nós é que não soubemos senti-la no peito. Será?
      Um beijo com muito carinho. Smack!

  20. Mariana Veiga

    Olá Luiz, linda reflexão, obrigada pela partilha. Fomos todos sugados neste período. A arte conecta, interconecta e equilibra os nossos hemisférios. É uma pena que a maioria esteja tão distante dela, sintoma mundial. Continue a espalhar suas sementes valiosas. Um grande abraço!
    Mariana

    1. Luiz De Simone

      Oi, Mariana! Adorei saber-me lido por você (nossa, que frase). De fato grande parte das pessoas não se dá conta da existência da Arte ou não se sente conectada com ela. Quanto a isso nada se pode fazer a não ser continuar produzindo-a e espalhando-a por aí. Cada pessoa tem seu tempo, seu despertar. O importante é que quando essas pessoas se derem conta, encontrarão um mundo de criação pulsante e vívido. Para isso, artistas e entusiastas da Arte precisam fazer sua parte, incondicionalmente.
      Nosso legado artístico e cultural nos superará e nos levará além. Quem quiser contribuir pra isso criando coisas, que crie. Quem quiser compartilhar disso se alimentando dessas coisas, que o faça. Para aqueles que nem criam e nem se relacionam de algum modo, por simples que seja, com essa riqueza humana que nos define e nos conduz para a posteridade, eu sinceramente só posso lamentar. Estarão negando precisamente aquilo que faz deles humanos.
      Obrigado pelo recado. Adorei! Um beijo!

  21. GRACIELA BEATRIZ HONIG SANTIAGO

    Meu querido Luiz!
    Entendo e respeito tua alma poética e musical… aliás, admiro muito!
    Me reinvento a cada dia através da arte, senão como seguir enfrente?
    Hoje, 15 de novembro, estou particularmente entrelaçada com a música e a arte,
    sem falar no Amor… Nós sabemos do que eu falo, ne?
    A arte tem que ser generosa; sem gratidão e generosidade é só egocentrismo.
    Por isso sou grata eternamente a você Luiz de Simone!!!
    Amor da tua amiga Graciela Santiago.

    1. Luiz De Simone

      Querida Graci, que delícia receber sua visita e ler suas palavras aqui. E escolheu um dia tão especial para fazê-lo… Sabe que eu não tocava Cabo da Boa Esperança há anos e fui tocar exatamente neste final de semana? Pois é, parece que estava prevendo sua vinda aqui e essa sua mensagem que afagou minha alma. Obrigado pelo carinho, por ter me proporcionado essa história maravilhosa com o Max. Te digo que essa história ainda acabou e teremos novos momentos à frente. A Arte pode tudo. Ela o ultrapassou, nos ultrapassará, mas estaremos todos coesamente reunidos neste manancial da criatividade humana que remonta a incríveis sessenta milênios atrás. Max estava lá, está aqui e estará acolá, na posteridade. Muito obrigado pelo amor derramado aqui. Foi calorosamente recebido. Um beijo amoroso pra você. ❤️

  22. Alexandre Costa

    Querido amigo, profundo, sensível e verdadeiro. O melhor texto que já li seu. E sobre a arte nos conectar, penso que nossa amizade surgiu pelo encantamento com a sua música, e pelo reconhecimento recíproco que tivemos quando lá naquele início nos soubemos tão amantes do mais lindo filme feito pela sétima arte: Cinema Paradiso. A arte, antes mesmo de nossa amizade se solidificar, já havia selado a nossa união. E quantas vezes ouvi-lo no Cocotte, um dia em.especial, só aprofundou nossa amizade. Muito bom AMAR-TE.

    1. Luiz De Simone

      Prezado Alexandre, como já te disse antes você realmente tem o dom da palavra e mais uma vez sua contundência chegou me atingindo em cheio. Que bela e poética visão da nossa amizade, previamente selada pela afinidade à Arte – ela aqui representada pela obra-prima cinematográfica (e musical!) Cinema Paradiso. Obrigado por ter compartilhado isso comigo. Estou até sem palavras, meu amigo… Somos a prova cabal de que não existe conflito e discussão política que não se posicione abaixo dessa força maior da natureza humana que tudo aproxima e conecta. A Arte nos salvará inexoravelmente, dos conflitos daqui e de acolá, de outrora e dos que estão por vir. Olhemos para cima para compreender quem está ao nosso lado. Somos (ou deveríamos ser) apenas um. Um afetuoso abraço pra você e obrigado mais uma vez pelas luminosas e inspiradoras palavras!

  23. Josiana Oliveiras

    Olá, Luiz.
    Nossa maior virtude como artista é a esperança. Acredito ser o que nos move.
    E nos move também a passar adiante o que aprendemos.
    Muito bom ler sua postagem e saber que a arte (figurativa/representativa) está cada dia mais velhinha, 64 mil anos.
    Tão distante e tão perto da arte contemporânea.
    Abraços,
    Josiana.

    1. Luiz De Simone

      Querida Josi, que prazer falar de Arte para uma artista! Sim, são diversas esperanças em questão, não? A esperança de ser compreendido, a esperança de conseguir expressar um sentimento e, sobretudo, a esperança de que nossa criação possa tocar as pessoas de alguma forma e deixar o mundo mais belo. Transformar a realidade, mas que poder enorme, não? Que tenhamos forças e sejamos dignos de fazê-lo!
      Quanto aos 64.000 anos, isso foi uma descoberta recente. Os registros pictóricos em cavernas mais antigos datavam de até 35.000 anos, já pelas mãos do homem moderno. O incrível foi terem descoberto registros belíssimos, técnica e plasticamente, de 64.000 anos atrás, feitos pelo homem de neandertal (20.000 anos antes do homem moderno chegar ao continente europeu). Isso não é absolutamente incrível?! A Arte sempre esteve presente MESMO! É genuinamente a nossa essência, o que nos conecta aqui hoje, em 2018, aos neandertais de mais de sessenta milênios atrás. É uma noção que me até arrepios, sinceramente. Fico desconcertado com essas reflexões.
      Sigamos nosso caminho, Josi. Nossa tarefa é nobre e devemos humildemente nos colocar a serviço dos nossos semelhantes. Mãos a obra!
      Um beijo carinhoso pra ti!

  24. Josiana Oliveiras

    Sim, estamos conectados aos nossos irmãos neandertais. Ainda usamos rochas, paredes para nos expressar, usamos os grafites. É curioso ver essa ligação.
    Contudo, seguimos nosso caminho de sermos sinceros conosco e criar para os que não fique tão limitada nossa visão do mundo. Compartilhar é a nossa missão.
    Bravo, Luiz.
    Muito bom ler as suas opinões.
    Abraços!

  25. Jean-Philippe Thery

    Sábias palavras.
    Sábias notas.
    Também resolvi me afastar dos debates políticos. Não me faziam bem, e não creio que eu fazia o bem para ninguém ao expressar minhas supostas verdades. Só me falta esse refúgio que você encontra nas teclas do teu piano, já que não pratico nenhuma arte. Mas nada me impede fechar os olhos e imaginar… estou no Cocotte bistrô, escutando tua música ao mesmo tempo que me delicio com a arte culinária da Manuela…
    Só o pensamento já me acalma.
    “la musique adoucit les moeurs” assim como falam os franceses!

    1. Luiz De Simone

      Querido Jean-Philippe, obrigado pelo recado. Tuas palavras são sempre luminosas. Você diz que não tem refúgio na arte (senão como espectador), mas me pergunto o que são aquelas belas ilustrações que você faz quando está inspirado. Comunicar-se com clareza, escolher as palavras de forma poética e cuidadosa, isso causa impacto. É a arte do comunicar-se de forma bela. Você entende bem disso, meu caro. Arrisco dizer, portanto, que seu alento na Arte (que você próprio faz) é mais presente e provoca maior impacto na sua vida do que você pensa. Fora isso, obrigado pelas imagens gentis e pela energia de sempre. Sua presença, mesmo virtual, é sempre contundente. Um abraço afetuoso!

  26. Antônio Carlos Macedo

    Poderia te aplaudir como num belo show ouvindo Beethoven ou Mozart, mas foi lendo sua reflexão, na realidade, a meu ver, sobre a vida. Discutimos em muitas ocasiões, por querer que nossa percepção da verdade seja a mais “verdadeira”. Deveríamos apenas conversar sob a ótica da troca do conhecimento, divergir das teses sem querer que as antiteses sejam o final de tudo. Parabenizo pela sua sensibilidade de sentimentos nobres como humildade, o que muito nos falta. A cultura digital deixa o homem na superfície das coisas, parece que o povo prefere as manchetes, a primeira página, achando que toda notícia ali se apresenta. O verdadeiro artista está além do tempo, vivendo sempre em outra dimensão, percebe além dos olhos, não posso dizer todos, mas os sentimentos afloram e mudanças são sempre a forma de cessar o foco que cristaliza as idéias e até mesmo, a razão. A boa arte aglutina como uma energia que ressona na mesma sintonia, silencia a mente, transporta sensações e envolve sentimentos, foi essa sua arte que reconstruiu cada um em torno do todo. Cremos que podemos mudar o mundo mas, o máximo que podemos é acrescentar um quantum a nós mesmos, o que já será uma terefa hercúlea. Desculpe demorar tanto a ler essa maravilhosa reflexão. Um grande abraço.

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